FUNDAMENTOS PARA O AUTOCONHECIMENTO


“De modo imperceptível ingerimos pensamentos, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos[1]
Quem melhor do que eu para conhecer a mim mesmo? Pois bem, então vamos concentrar os seus esforços físicos e mentais e toda ajuda necessária de estudiosos e espiritualistas que temos a nossa disposição para efetivarmos esta tarefa de autoconhecimento.

       
É certo que o ser humano é composto de Razão, Emoção, Inteligência, Instinto, Pensamento e para nós Espíritas Mediunidade. Ainda temos os fatores que chamamos de secundários: o Meio, a Vontade, a Honestidade, a disciplina e para nós Espíritas a Evolução e Reencarnação.


        Outro fator que é preponderante a todas as concepções do ser humano é que existe algo após a vida e que existe um ser supremo que criou todas as coisas a quem chamamos de Deus, tanto quanto, que Jesus Cristo é um ser elevado para os padrões humanos.

Para nós Espíritas o que existe após a vida é a vida em Espírito e esta vida é eterna. Deus é a energia criadora de todo o universo, ele está presente em tudo, ele é tudo. Mas, ele nos da o livre-arbítrio para agirmos em nossa vida encarnada. Jesus é o ser mais evoluído que nos conhecemos, o que conseguiu viver a vontade do Pai e se tornou o governador da galáxia em que se encontra o planeta Terra.

        Assim, o autoconhecimento deve partir destas primícias acima citadas. O que acontece em minha vida no momento está ligado com o meu passado e com o que governa o planeta em que vivo, bem como de que forma eu respeito às leis morais da sociedade em que estou inserido, de como eu sigo os ensinamentos do nosso Mestre Jesus e com que pensamentos eu me conecto nesta existência.

Razão:

“Nós, que já atingimos determinado degrau de inteligência, não podemos aceitar formas mágicas para modificar a nossa maneira de viver e principalmente o modo pelo qual devemos modificar o nosso ‘EU’ integral, pois isso somente ocorrerá com método, disciplina e dedicação incessantes de nossa parte.[2]

Emoção:

“Você acredita que, não estando de posse do equilíbrio sentimental, tem chances de ser verdadeiramente conhecedor de si mesmo? (...) As doenças psicossomáticas do nosso século, de etimologia obscura que um corpo de diagnose não consegue identificar dentro de um quadro patológico, são na realidade os indícios dos distúrbios emocionais das massas. (...) As emoções desempenham fator predominante em nossas vidas e é preciso conhecer mais e mais sobre elas, evitando distúrbios que nos façam mal; no entanto, não devemos nos perturbar, pois temos de lutar contra nossos bloqueios e temores para que possamos vencê-los.[3]

Inteligência:

 “É a capacidade cognoscitiva e seletiva do intelecto, e seus atos principais são a associação de idéias, o juízo e o raciocínio. O pensamento é a faculdade de comparar, combinar e estudar as idéias. (...) Ninguém atinge o autoconhecimento sem utilizar a faculdade da inteligência que poderá sublimar-se em sabedoria. É através da inteligência que temos a consciência de nossa individualidade, a noção do bem e do mal, enfim, a identificação moral de cada um de nós. (...) Pois bem, agora você já deve estar intrigado para saber qual a fonte da inteligência, porém nada mais lógico do que buscá-la na ‘Inteligência Universal’, (...) Nada mais simples do que seguir as Leis Universais para adquirir, através da experiência, os legados da sabedoria.[4]

Instinto:

“o conjunto de reações conscientes, embora privadas de reflexão intelectual, capaz de determinar os diversos tipos de comportamento humano ou puramente animal, (...) O instinto, poderíamos afirmar, é uma espécie de inteligência não-racional, e é por esse meio que os seres provêm às suas necessidades. (...) E algumas vezes é um guia mais perfeito que a razão, devido à negligência moral de que ainda somos portadores. (...) Ele também é muito importante no autoconhecimento, pois através dele podemos conhecer nossos impulsos e reações. (...) Para toda situação nova, sem referência, o instinto entra em funcionamento independentemente dos apelos da razão. Por isso, é necessário que comecemos modificando nossos impulsos inferiores, para que nossa evolução possa ser atingida e principalmente facilitada.[5]

Pensamento:

“somos o   que pensamos. nossos pensamentos expressam nossa consciência e tudo o que cultivamos como preferências, tendências, aptidões e, em decorrência, a leitura que fazemos da vida, o sentido que damos, conforme nosso livre-arbítrio (...) o poder do pensamento é de tal ordem que sua velocidade supera a da luz. (...) Quando você pensa em alguém já está lá; você se transporta em pensamento e quanto mais firme e constante ele for pode chegar a ser captado pela outra pessoa[6]”. Portanto, “todo pensamento possui peso, forma, estrutura, qualidade e poder. A todo pensamento corresponde uma imagem mental. O poder do pensamento é maior do que a eletricidade[7].”

Mediunidade:

“A mediunidade ou percepção extra-sensorial é a faculdade que todo o ser possui em relacionar-se com o Mundo dos Espíritos, seus indivíduos inteligentes desencarnados, e interpretar as sensações, assimilando em seu perespírito a manifestação da ação inteligente alheia, ou diferenciada de sua vontade genuína ou original. (...) De maneira geral todos somos médiuns, uma vez que os Espíritos podem, de uma forma ou de outra, influênciar nossos pensamentos, nossa vida, enfim, nossas decisões. (...) você já deve ter percebido a importância do estudo, do preparo e da elevação que todo médium deve esforçar-se por possuir, ao realizar tarefa definida perante seus semelhantes, porque ele é o intérprete dos Espíritos.[8]
        Antes de iniciarmos as características chamadas de secundárias pelo autor espiritual Lazaro, é importante frisar que o pensamento e a mediunidade que consideramos características importantes para o propósito deste texto serão trabalhadas em capitulo a parte.

O Meio:

“o ser sofre influências culturais, existenciais e educacionais que são transmitidas pela personalidade dos pais, que têm por missão fazer evoluir seus filhos no terreno do conhecimento e no campo da moral. (...) Você deverá concluir que, muitas vezes, o meio em que nascemos influência nossa maneira de pensar e agir. (...) Observe que, se não admitíssemos as existências consecutivas, não conseguiríamos conceber um Deus justo. Por que uns nascem no seio da pobreza, passando por diversas privações, enquanto outros surgem ao mundo em berço esplêndido, (...) Admitindo a pluralidade das existências pela reencarnação, tudo fica lógico e ninguém escapa à Lei da Evolução, pois cada um terá várias oportunidades em vários meios:[9]

A Vontade:

“A vontade firme realiza prodígios, que, às vezes, muitos não acreditariam. A fé pode ser humana, mas também Divina. Para que você possa alcançar os objetivos a que se propõe (...), necessita ter vontade inquebrantável; como consequência, adquirirá uma fé inabalável. A vontade firme é contagiante, incentivadora (...) de aperfeiçoar-se com diligência, reconhecendo que nossa boa-vontade deverá ser ativada todos os dias para seguir nossos objetivos de amarmo-nos e instruirmo-nos.[10]

A Honestidade:

“É necessário que você seja honesto consigo mesmo e com os valores nos quais acredita. (...) É muito triste quando observamos pessoas que desejam enganar a si mesmas, buscando facilidades imediatas, negando com os atos a fé que tentam explanar pelos lábios. A honestidade é fundamental – não se engane! (...) já possuímos esclarecimento suficiente para entender que as provas e expiações de cada existência são necessárias à evolução de cada um, e de todos os Espíritas (...) Você já notou como a honestidade é a maior amiga da consciência tranquila? Seja honesto com todos, com você, com sua posição evolutiva no plano em que se encontra.[11]

A Disciplina:

Para conseguirmos alcançar um determinado objetivo temos que seguir um determinado programa com rigoroso treinamento, boa alimentação, muita concentração, abnegação e disciplina. “Você pode imaginar quantas horas de abnegação e disciplina mental serão necessárias no campo das conquistas espirituais para que atinja o equilíbrio e o autoconhecimento interior? É através da disciplina, do horário retamente cumprido, do estudo constante e da observação dos fatos que você conseguirá modelar ‘seu eu interior’. (...) Nesta condição, é possível a todos se melhorarem, aprimorarem-se e sentirem-se úteis na atual existência, progredindo mais um pequeno degrau a cada encarnação. (...) O caminho do ‘meio’, sem radicalizações, é o que deve ser seguido.[12]

A Evolução e A Reencarnação:

“Deus lhe concede os meios pelas” expiações e “provas naturais da encarnação, porém, pela sua justiça, permite-lhes executar em múltiplas existências o que não foi possível realizar em uma única. (...) Todos os Espíritos têm como meta a perfeição. (...) Não seria razoável, com os atributos da verdade e da justiça de Deus, castigar eternamente aqueles que se desviaram do caminho de sua evolução, independente do seu livre-arbítrio, (...) Se o destino do homem estivesse previamente estabelecido após o seu desencarne, Deus não teria julgado a todos da mesma forma e, portanto, sua Justiça não seria imparcial. A Doutrina Reencarnacionista é a única que nos faz entender a justiça de Deus em relação à inferioridade dos homens, sua evolução, seus sofrimentos e suas recompensas. Ainda é a única que nos infunde novas esperanças, pois não fixa um futuro sem a possibilidade de reparação das faltas com novas provas e expiações.”
Para entendermos melhor é necessário refletirmos que o ser humano possui “o comportamento inato e o comportamento adquirido”, adquirimos o nosso comportamento da educação que recebemos de nossos pais e do meio em que vivemos. Já “o comportamento inato é fruto de nossas respostas instintivas e conhecimentos já obtidos em encarnações precedentes.” Quanto ao comportamento adquirido é necessário sabermos que “está relacionado às atividades que necessitam de aprendizagem, treinamento e estimulações do momento presente. São modificações de nossa personalidade, de nosso caráter e sentimentos edificados pelo estudo atual e pelo desenvolvimento da ética, da ciência e da religiosidade em nossas vidas atuais.” Portanto, “sempre será importante estudar, aprender, conhecer nossos estímulos e reações para sublimá-los. (...) Assim começa a cura interior[13]”.



[1] XAVIER, Francisco Cândido, Roteiro, pelo Espírito Emmanuel
[2] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro - Pag. 11
[3] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro - Pag. 12
[4] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 13
[5] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 15
[6] SCHUBERT, Suely Caldas, Mentes interconectadas e a Lei da Atração
[7] SIVANANDA, Swami, Concentração e Meditação
[8] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 16
[9] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 17
[10] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 20
[11] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 21
[12] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 22
[13] SANTIS, Reinaldo de, Cure a Sua Vida – A Reforma Intima de seus Pensamentos e Ações. Pelo Espírito Lazaro – Pag 18