O bom Orgulho

O orgulho é um sentimento fundamental em nossa condição evolutiva.

Se hoje nos víssemos obrigados a usar uma máquina de escrever, certamente nos aborreceríamos em dispor deste equipamento em plena era da tecnologia, mas a máquina de escrever teve a sua utilidade e foi indispensável em sua época, embora hoje tenha se tornado peça de museu. Com o orgulho se dá o mesmo. Será substituído no futuro por sentimentos mais nobres e avançados, mas enquanto este avanço não chega ao Espírito, nós usamos o orgulho a fim de rabiscarmos os primeiros traços de nossos grandes projetos no futuro.


Ter orgulho de si mesmo, da família, dos seus filhos, das suas conquistas, dos dons que Deus lhe deu, de suas capacidades e habilidades pessoais, é ensaiar para a autoestima, para a autovalorização, para o auto amor. Ter orgulho não está relacionado a ferir-se ou a ferir os outros, mas em sentir-se satisfeito com a vida e aplicar nesta todos os recursos possíveis e cabíveis para o seu sucesso.  Podemos usar o orgulho como ferramenta de progresso, mas assim como podemos pegar a máquina de escrever e lançá-la violentamente contra o próximo, podemos usar o orgulho como arma que fira e danifique o semelhante.

Acreditar-se infalível, empinar o nariz, atropelar os outros, tornar-se prepotente, arrogante, mesquinho, é usar mal o orgulho e é esse uso que devemos evitar. Tudo na vida é bom ou mal dependendo do contexto onde se aplicam as nossas emoções. O amor, esta chama divina, pode ser veneno se não for utilizado com sabedoria. Quantos homicídios em nome do amor são proclamados dia a dia? Não são as emoções boas nem más, mas as intenções que as colocam em prática que lhes dão o brilho ou a sombra. Lutar contra o orgulho, vendo somente uma de suas faces, é querer quebrar a máquina de escrever, quando se depende dela e não se dispõe ainda de equipamentos mais avançados que possam exercer a mesma função de forma mais eficiente. É querer saltar etapas.

Possivelmente, lendo este texto, você sentiu uma confusão em suas ideias e com o desejo de negar, taxando de absurdo tudo o que escrevemos. É um direito que jamais iremos negar. Pedimos apenas que antes de rejeitar, releia mais algumas vezes, largue as suas pedras, limpe o seu copo, abra a sua mente e reflita. Talvez você compreenda a nossa mensagem e se sinta mais leve ao entender que pode usar os seus sentimentos de orgulho, vaidade, inveja, ciúme, egoísmo, etc., a favor de você, pois se tais sentimentos existem (e eles existem) dentro de nós e se nós ainda levaremos um tempo para diluirmos estes sentimentos, podemos enxerga-los como adubos, como ferramentas, e dar-lhes um novo entendimento.

Quando Jesus ensina sobre perdão, convidando-nos a dar a outra face, implica em dar um novo entendimento às coisas e superar o hábito de ver tudo sub um único ponto de vista, criando julgamentos superficiais que muitas vezes se voltam contra nós mesmos. Tenha orgulho de você, esse é o primeiro passo para a sua auto realização.